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Continuando a apuração das denúncias envolvendo a Santa Casa de Misericórdia de Santos, chegamos ao nome de um médico com posturas controvérsias e eticamente conflitantes. Trata-se do cirurgião geral e coloproctologista, Alfredo Fernando Vecchiatti Pommella (foto). Candidato a vice-provedor em 2018 (conseguiu a façanha de perder por ampla diferença para Luiz Polaco em 2018), Pommella aparentemente tem um amplo projeto de poder na Saúde da Região uma vez que no mesmo ano foi eleito Diretor Clínico da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos. Isso mesmo, caro leitor. A Santa Casa de Santos quase teve na sua vice- provedoria um médico que ocupa cargo de direção no seu concorrente direto na Cidade e na Região. Seria algo estranho e pouco ético, convenhamos. Como pode um médico estar na diretoria da Santa Casa e da Beneficência ao mesmo tempo, tendo acesso a dados importantes e estratégicos dos dois hospitais e com poder de tomar decisões dos dois lados. Para que lado Pommella penderia? Porém, o Conselho da Santa Casa, acertadamente, não o elegeu há dois anos, evitando naquele momento o conflito. Porém, no começo de 2020 haverá nova eleição na Santa Casa de Santos e Pommella, que também é maçom da Loja Estrela (a maior da Cidade) já está em franca campanha e tem usado de atitudes controversas para alcançar seus objetivos utilizando espaços da Beneficência, aparentemente, conta com a conivência da direção do hospital e também da presidente da Subseção de Santos da Associação Paulista de Medicina, a médica Ana Beatriz Soares. Explicaremos a seguir.

Circula no whatsapp da maioria dos médicos de Santos nos últimos meses uma campanha intitulada “Hospital Sem Médico Vira Hotelaria”, cujo autor ou idealizador não é claramente identificado, mas que tem em Alfredo Pommella um dos seus maiores divulgadores. A campanha circula com o seguinte texto: “CAMPANHA MÉDICA: MÉDICOS CONTRA O SR. AUGUSTO CAPODICASA. Os médicos da Baixada Santista não levarão seus pacientes para operar na Santa Casa de Santos enquanto o senhor Augusto Capodicasa (diretor administrativo) não for retirado do cargo. Hospital Sem Médico vira Hotelaria. E Hotelaria de má qualidade”. Pommella retransmitiu a mensagem em, pelo menos, dois grupos com grande quantidade de médicos sem contextualizar ou dar opinião, ou seja, deixando a entender que concorda com a iniciativa. Os grupos onde este blog teve acesso que Pommella publicou a mensagem foram: “Médicos SPB”, voltado exclusivamente para médicos da Beneficência Portuguesa, e o grupo “PRESID DOS DEPTO APM”, onde estão médicos que presidem departamentos da Associação Paulista de Medicina – Santos. Neste grupo em especial, Pommella ainda escreveu “recebi, repasso”, deixando claramente que está ajudando a disseminar a campanha, ou seja, que aparentemente concorda com ela. Veja abaixo os prints desses grupos com a mensagem de Pommella:

APMok

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Claramente, há interesses comerciais conflitantes. Ou alguém acha “normal” um diretor da Beneficência Portuguesa espalhar um pedido contra um diretor da Santa Casa de Santos (em que pese nossas discordâncias com o sr. Capodicasa que já deixamos claro em diversas oportunidades nesse blog)? Com quais interesses Pommella espalha esse ataque à gestão da Santa Casa? Quais os interesses dele na Santa Casa, onde faz parte do corpo clínico e da irmandade, que esse tipo de atitude mostra? Aparentemente, é politicagem visando o pleito que será daqui a pouco mais de um mês. Ou seja: a campanha política já começou e essa campanha contra a atual gestão da Santa Casa visa enfraquecer o provedor Ariovaldo Feliciano, que confia em Capodicasa.

Esse blog entrou em contato com a Assessoria de Imprensa da Santa Casa de Santos que nos atendeu com bastante competência, e cabe um elogio a assessora Vanessa. Apesar de saber que somos críticos da gestão, nos respondeu todos os questionamentos enviados.

A direção da Santa Casa tomou conhecimento da campanha “Médicos contra o Sr. Capodicasa” por meio de seus próprios funcionários, que são muito unidos e mostraram preocupação com a notícia que circulou fortemente nas redes sociais.

Porém, Pommella e os idealizadores dessa campanha parecem não gozar de prestígio entre a classe médica. Segundo a nota encaminhada a este blog, a Santa Casa de Santos desconhece o autor e origem do compartilhamento da campanha citada. “No entanto, diante do temor que os funcionários demonstraram em ficar sem salário ou perder o emprego, caso o hospital enfrentasse nova crise, a administração convocou uma reunião com todos os gestores e lideranças, para que tranquilizassem as equipes de trabalho, e esclareceu que os procedimentos cirúrgicos continuavam sendo realizados como de costume”, pontua a nota.

Pelo que os números indicam, Pommella e os criadores “ocultos” da campanha não gozam de prestígio entre os médicos da região. Perguntado por esse blog se houve queda ou prejuízo no número de procedimentos operatórios na Santa Casa de Santos nos últimos meses (período em que a campanha circulou mais fortemente), a Santa Casa de Santos respondeu: “Não foi registrado redução no número de operações, internações e nem registrado prejuízo no período”.

A direção da Santa Casa esclareceu a este blog em nota que não pretende tomar nenhuma providência jurídica quanto ao ocorrido, nem contra Pommella ou contra a Beneficência Portuguesa de Santos. Mas, lamentou muito a campanha: “Não se pode considerar ético um ataque pessoal, a uma administração que lida com a saúde e a vida de tantas pessoas. No caso da Santa Casa, que tem um quadro funcional de aproximadamente 5 mil colaboradores, são inúmeras famílias que podem ser prejudicadas, diante de uma possível crise, e isso sem considerar o prejuízo para a saúde da região. Uma crise na Santa Casa de Santos, significa uma crise para toda a Baixada Santista”, lembra bem a nota encaminhada pela gestão do provedor Ariovaldo Feliciano.

É de se lamentar que um médico, ocupante de um cargo de direção em um dos maiores hospitais da região que, claramente, tem pretensões políticas na Santa Casa se preste ao papel de espalhar notícias sem autor da mesma. Uma irresponsabilidade que não combina com uma pessoa com um grau de instrução tão alto, sendo membro de uma das Lojas Maçônicas de maior prestígio no Brasil (Loja Estrela). Esse tipo de postura não é convergente com os ideais maçônicos.

E se alguém tem dúvidas em qual hospital “bate mais forte o coração” do Dr. Pommella, veja a seguir pronunciamento dele ao assumir a diretoria clínica da Beneficência Portuguesa retirada de entrevista ao site do hospital (http://spb.org.br/spb/diretoria-clinica/): “Conhecido pelo humor ácido, Dr. Pommella, diretor clínico da Beneficência Portuguesa de Santos surpreende ao falar do carinho pouco tornado público, que devota ao hospital. “O que me propus à frente da Diretoria Clínica da Beneficência é colocar em prática algumas normas. Mostrar aos colegas que trabalhamos em um hospital simpático que recebe todos os médicos de braços abertos e que o ambiente que desfrutamos aqui, pode não ser o paraíso porque isso não existe, mas é muito agradável e único. A Beneficência Portuguesa é uma casa acolhedora e os colegas sabem disso, por essa razão precisa ser valorizada por quem aqui exerce a profissão. Em dois anos de gestão não vou reverter alguns comportamentos, entre eles o de mostrar a alguns profissionais que se habituaram a falar mal do hospital, mas que não abrem mão de aqui trabalhar. Como em qualquer empresa, os problemas existem, mas eles estão sendo contornados, muitos já resolvidos. Precisamos valorizar o local onde prestamos serviço, porque a Beneficência é reflexo do que praticamos” ressalta Dr. Pommella afirmando que trabalhará para ampliar o bom relacionamento entre os profissionais e a direção da Instituição, bem como trazer o maior número de conveniados para atuar nos hospitais Santo Antônio e Santa Clara”.

Impressionante como as atitudes de Pommella são conflitantes. Cobra apoio do corpo clínico à Beneficência onde é diretor, mas critica a Santa Casa, onde faz parte do corpo clínico. É o famoso façam o que eu digo e não façam o que eu faço?

Outro lado
Este blog procurou por telefone e whatsapp o dr. Pommella para que ele se pronunciasse sobre o ocorrido. Apesar de não atender as ligações, ele visualizou as perguntas enviadas pela rede social há mais de uma semana.

As principais perguntas foram: É verdade que o doutor encabeçou uma campanha chamada “Hospital Sem Médico vira Hotelaria” pedindo aos colegas que não operassem mais na Santa Casa de Santos enquanto o sr. Augusto Capodicasa fosse diretor administrativo do Hospital? Se não for verdade, onde o senhor teve conhecimento da referida campanha? ; Porque o senhor compartilhou conteúdo da campanha citada na pergunta anterior em grupo de whatsapp de chefes de departamentos da Associação Paulista de Medicina Santos e em grupo de whatsapp de Médicos da Beneficência Portuguesa de Santos? Você concorda com a campanha? ; Essa campanha é uma iniciativa institucional da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos, hospital onde o doutor é diretor clinico, ou iniciativa pessoal sua? Alguém pediu pra você fazer esses compartilhamentos? Se sim, quem? Se eu fosse seu paciente e precisasse operar, onde o senhor me indicaria para fazer meu procedimento, a Santa Casa de Santos, onde trabalha, ou a Beneficência Portuguesa de Santos, onde é diretor? Porque o senhor disputou a vice provedoria contra Polaco na última eleição da Santa Casa, se são amigos e membros da mesma Loja Maçônica? A Loja Estrela pediu pro senhor sair candidato contra Polaco? Porque saíram dois candidatos de dentro da Loja Estrela para o cargo? Há uma divisão nessa loja maçônica? O senhor acha ético um médico que trabalha na Santa Casa ou na Beneficência ser membro da Irmandade ou da Sociedade e se candidatar a cargos administrativos na Mesa do hospital, tendo, se eleito, poder para decidir benefícios em causa própria? O senhor acha ético um diretor de hospital compartilhar campanha contra diretor de hospital concorrente em um grupo da Associação Paulista de Medicina que claramente não tem esse fim e objetivo?”.

Porque Pommella ignorou? Será que neste caso vale o ditado que diz que “quem cala consente”?

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Associação Paulista de Medicina Santos
Também tentamos esclarecer o assunto com a Associação Paulista de Medicina – Subseção de Santos. Tentamos contato telefônico com sua presidente, Ana Beatriz Soares (foto), que não nos atendeu. Enviamos as perguntas pelo whatsapp que confirmou a leitura por parte da dra. Ana Beatriz, que ignorou os questionamentos do blog, representante da Imprensa livre desse país.

As principais perguntas foram: “A senhora tem conhecimento da campanha chamada “Hospital Sem Médico vira Hotelaria” pedindo aos colegas que não operassem mais na Santa Casa de Santos enquanto o sr. Augusto Capodicasa fosse diretor administrativo do Hospital? Se sim, como a senhora soube da mesma? A senhora concorda com ela? A APM Santos como instituição concorda com ela?; A senhora soube que o diretor da Beneficência e médico da Santa Casa, Alfredo Pommella compartilhou conteúdo da campanha citada na pergunta anterior em grupo de whatsapp de chefes de departamentos da Associação Paulista de Medicina Santos? Você concorda com a atitude do médico? Como vocês administram esses grupos de whatsapp? Aprovam esse tipo de conteúdo? Se não, tomou alguma providência quanto ao ocorrido? A senhora tem conhecimento das responsabilidades legais que administradores de grupos de whatsapp tem sobre conteúdos neles compartilhados? ; A Associação Paulista de Medicina Santos apoia de forma institucional está campanha? ; A senhora acha ético um diretor de hospital compartilhar campanha contra diretor de hospital concorrente em um grupo da Associação Paulista de Medicina que claramente não tem esse fim e objetivo?; O Dr. Pommella ocupa ou já ocupou cargos na APM Santos?”.

Esse silêncio da presidente da APM Santos indica que a instituição permite o ataque a gestões de hospitais em grupos de whatsapp ligados à diretoria e, portanto, corrobora com o que foi escrito. Como não repudiou o ocorrido, será que a presidente da APM Santos e a instituição são contrárias a atual gestão da Santa Casa? Ou a dra Ana Beatriz Soares tem interesses ainda não esclarecidos na Santa Casa?

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Medo do carimbaço?
Esse blog soube em suas andanças pelos corredores da Santa Casa que o silêncio de Pommella pode ter ligações com a investigação sigilosa sobre o carimbo de médicos no hospital mais antigo do país? O que será que esta investigação descobriu. Será o medo do carimbaço que causou o silêncio do médico? Pelo que este blog soube, essa investigação comprovou coisas de deixar careca com o cabelo em pé. Pelo que parece, se eu conseguir acesso ao Inquérito e a Sindicância do caso do carimbaço serei um forte concorrente do Prêmio Esso de Jornalismo 2020.

A verdade é que médicos deveriam ser proibidos como membros de irmandades e sociedades como a Santa Casa e Beneficência. Eles acabam se elegendo para cargos diretivos e com isso delegam em causa própria, o que é eticamente conflitante. Sabemos que o Conselho da Santa Casa pensa em modernizar o compromisso da Irmandade esse é um ponto que deve ser levado em conta.

Para nós, não será surpresa vermos Pommella como candidato a provedor ou a vice em 2020. Pelo visto e pelo que tudo indica, é mais um que quer se utilizar da Santa Casa e não servir a essa instituição única da Saúde do país.