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O jornalista Carlos Ratton, de 55 anos, lança na quinta-feira ,seu segundo livro “Contra a Maré”, na Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos. Com 22 anos de experiência no Jornalismo, ele reúne historias comoventes de moradores d Baixada Santista, verdadeiros sobreviventes.

Ratton, que é diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo desde 2009, conversou com o Blog Santos em Off.

Seu novo livro fala de personagens que cada vez menos aparecem na grande mídia. Qual sua avaliação sobre isso ?
Jornalismo, para mim, sempre foi mostrar o que foge do comum. Um professor e depois colega de profissão, ao definir o que é pauta para uma aluna de jornalismo, disse para ela que pauta é espanto. Quando você se espanta com uma situação, é sinal que está diante de um bom assunto. A grande mídia deveria se espantar mais.

Você acha que imprensa atualmente em Santos só se preocupa com quem vive entre a linha do trem e a praia ou mesmo na Vila Rica?
Eu acho que a imprensa regional não pode ter uma visão elitizada. Costumo dizer que existe uma diferença brutal entre entretenimento e jornalismo. Entretenimento é tudo que a pessoa quer saber. Jornalismo é tudo que a pessoa precisa saber. De uns tempos para cá, existe mais entretenimento do que jornalismo.

 Jornalismo é contar história. Você acha que a crise atual é do Jornalismo ou de quem comanda o Jornalismo?
 De quem comanda. Mas também existe uma deficiência acadêmica. As faculdades teriam que mesclar professores teóricos e práticos. É inconcebível uma pessoa dar aula de reportagem sem nunca ter pisado numa redação. Teoria é importante, mas a experiência é fundamental. Aluno tem que sair da faculdade com tesão, sangue no olho. E não com vontade fazer eventos.     

Qual é sua motivação para seguir à procura desses personagens?
Vontade de mostrar a vida como ela é e não como nós idealizamos.

Você acha que o Jornalismo regional se aproximou demais do Poder Público e da elite endinheirada e está se afundando a cada dia mais em função disso?
Não se aproximou, mas se tornou praticamente dependente do poder público e do empresariado. Por isso, não se vê mais personagens nas páginas de jornais, mas entidades, organizações e pessoas bem-sucedidas. Estão dando mais espaço para vencedores do que para batalhadores. Infelizmente, o importante está sendo vencer e não competir.